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Por que acreditamos nas coisas que acreditamos ou será que o homem foi à lua?

Tripulação da Apollo 11
Tripulação da Apollo 11

Pouco tempo depois que Louis Armstrong, o primeiro saxofonista negro a pisar na lua, apareceu na televisão, ganhei um livro. Não me lembro de onde veio, nem o nome, mas era um livro didático – ou paradidático de ciências. Pulando todas as coisas que não lembro a respeito disso e indo direto à única coisa que lembro: era usado e tinha um pedacinho que falava da chegada do homem à lua e depois pedia para o leitor comentar. A dona do livro (lembro disso também, era uma menina!) escreveu que não acreditava que o homem tivesse realmente chegado à lua, porque a lua era muito fria.

Fiquei encasquetado com aquilo – de onde a fulana tirou que a lua é fria? Fria a ponto de impedir uma viagem a ela. Como não concordava com a idéia, naturalmente desqualifiquei a autora. Era menina e idiota, não merecia que perdesse tempo com as idéias dela.

Quando crescesse seria cientista e astronauta e já dava os primeiros passos: montei o módulo lunar da caixa de sucrilho, li o livro do John Glenn e planeja o foguete com uns tubões de plástico que estavam jogados no quintal.

Esses dias fez 40 anos que pisaram na lua e um pouco menos que achei a menina idiota. Em retrospecto vejo que o comportamento dela e o meu eram iguais: acreditamos no que confirma nossa visão de mundo, nossas expectativas e crenças. Ela, como todas as meninas, devia sentir muito frio. Confortante acreditar que o frio que a derrotava, também derrotara os americanos. Já eu queria viajar pelo espaço, tinha que acreditar que era possível. Aliás, somos todos assim, queremos ter razão. Martelamos e torcemos o mundo para que ele se encaixe em nossa opinião.

Não virei cientista nem astronauta, mas assisti muito filme de ficção científica, visitei a sala de controle do programa Apollo e continuo convicto que foram à lua. Não sei se a menina mudou de opinião, mas muita gente que na época não acreditou, continua sem acreditar. Sem contar os muitos que nasceram nesses 40 anos que também não acreditam. Nós, os crentes, rimos dos adeptos da teoria da conspiração lunar. É o que acontece: acreditamos no que queremos e, se somos maioria, rimos (ou prendemos ou matamos) os que pensam diferente.

Fatos pouco adiantam, se queremos ter razão, precisamos estar do lado da maioria. Como será que a maioria é formada? Como se acredita que leite com manga faz mal, que Hitler era legal, que o Collor ia salvar o Brasil? De onde vem o consenso de  que Maria era virgem, Pelé era melhor que Garrincha, que Deus é barbudo?

Dark City – Os carecas do outro mundo e a parábola da reencarnação

Poster do filme
Poster do filme

Não é bem um filme sobre o futuro do pretérito, mas é meio atemporal, talvez anos 70. A cidade parece Nova Iorque, só que flutua solta no espaço.

Ao longo do filme você vai descobrindo que é a velha história dos inimigos da terra, neste caso alienígenas carecas, mas poderiam ser robôs ou criaturas mágicas, que querem descobrir o que nos torna humanos. Vêm nesta resposta a salvação para a raça deles que está se extinguindo.

O mérito de Dark City não é o motivo batido, mas que por causa dele, os ETs montam uma experiência original – eles constroem uma cidade que flutua do espaço e a populam com gente que eles abduziram, sabe-se lá onde e quando.  Toda meia-noite eles param os relógios e põe todos os humanos pra dormir, aí eles tocam o maior salseiro: constroem e destroem prédios, apagam a memória de alguns e trocam-nos de lugar na sociedade, implantando uma nova memória.

Nunca amanhece, mas ninguém se dá conta, nem que não dá pra sair da cidade, até que nosso herói, John Murdock, acorda antes da hora, bem quando o médico (o Jack Bauer, vulgo Kiefer Sutherland) ia injetando-lhe bem no meio da testa as memórias de um assassino serial.

Os carecas intergalácticos ao invés de buscar uma cura para calvice, como acontece no Duplicity, ficam observando como uma mesma pessoa se comporta em diferentes situações e diferentes histórias pessoais.  Com isto, sei lá como, eles esperavam descobrir o que nos torna humanos. Os cabeça-de-ovo não têm memórias individuais e aparentemente não são lá muito emotivos.

Não posso deixar de fazer analogia com a crença na reencarnação, partilhada por hindus, espíritas e outras tribos. É mais ou menos a mesma coisa: você acorda no dia ou na vida seguinte, em uma situação totalmente diferente da anterior e não lembra de porcaria nenhuma. A pergunta que deve ser feita na maioria das situações, e também no caso da crença e do filme é: Pra que?

O filme até que explica, sem fazer muito sentido, que fazem as trocas pra descobrir o que nos faz humanos, expondo uma mesma pessoa a diferentes situações. Procuravam padrões, sei lá. Já no caso da crença, os motivos citados são justiça divina e evolução cármica.

Eu, por exemplo, fui um soldado japonês na primeira guerra mundial. Estuprei e matei várias chinesas, coreanas e etc. Pela explicação da justiça divina, os perrengues que passo nesta vida são uma punição, um acerto de contas cármico. Já, do ponto de vista da evolução, passo os perrengues para me tornar um ser humano melhor e não fazer mais as sacanagens que fiz no começo do século passado. Só tem um problema: não lembro de porcaria nenhuma da vida passada, logo que efeito tem a punição ou a lição?

O que somos nós senão nossa memória? Isto, imagino, era o que os pouca-telha marcianos queriam descobrir. Se possuirmos uma essência que transcende as particulares circunstâncias, apresentaremos uma tendência uniforme, por exemplo, uma pessoa generosa dividiria mais seus bens, quer seja rica ou seja pobre. Neste caso, progrediríamos ou regrediríamos na escala evolutiva de acordo com esta tendência, tornando o ciclo de reencarnações sem sentido, ou ao menos sem surpresa.

Por outro lado, se não possuirmos uma essência uniforme e formos modelando nosso caráter ao longo do tempo, só mudaríamos de lembrássemos da vida passada. A não ser que a punição viesse na mesma vida e, mesmo assim, o aprendizado duraria só até o fim desta. A não ser que você acredite que o sofrimento puro e simples ensina algo, mas mesmo neste caso, seria mais eficiente partir pra autoflagelação, ao invés deste trabalho todo de ficar reencarnando.

Claro que existe uma terceira hipótese, conhecida por “morreu, fedeu, acabou”, mas esta não dá muito assunto e leva irremediavelmente à conclusão que devemos deixar de coisa e cuidar da vida, senão chega a morte, o Belchior, ou coisa parecida.

Neste sentido cumpre informar que o herói aprende a controlar a cidade, derrota os carecas, constrói um oceano em volta da cidade, faz o sol nascer e todos os abduzidos vivem felizes para sempre, embora provavelmente continuem confusos.

Dez Impressões sobre o Uruguai

Tem um episódio dos Simpsons que o Homer está olhando o mapa-múndi, vê Brasil, Argentina e então começa a rir. Olha o nome deste país, diz, “you are gay”.

Pois é, nunca tinha ido ao Uruguai – e fui. A título de prestação de serviço, deixo minhas impressões aqui no  Madeira-Net, facilitando assim o caminho de outros exploradores.

1)      O Uruguai é perto. Se você conseguir chegar ao aeroporto de Guarulhos, em duas horas e pouco de vôo se vai à Montevidéu.

2)      Os Uruguaios são bem parecidos com os argentinos, só que são educados. Falam calma e polidamente. Até os mendigos, tem muito na capital, pedem com cuidado para não aborrecer o transeunte. A influência da Argentina está em todo o resto, nos nomes das ruas, na comida, nas fofocas na televisão.

3)      O Uruguai é frio pra chuchu, mas faz sol.

4)      Tem muito carro velho, alguns conhecidos como opala e fusca e vários que nunca vimos. Muita propaganda de autopeça, principalmente bateria.

5)      É pequeno, tem pouca gente e é plano. O trânsito é bom, mas tem muito semáforo. As coisas são mais baratas que aqui, geralmente.

6)      O peso uruguaio vale bem menos que o real, um quinto mais ou menos. O dólar parece circular livremente. Dá pra sacar em dólar nos caixas eletrônicos.

7)      Cassinos são permitidos e existem em abundância. E o pessoal joga mesmo, principalmente em caça-níqueis. Gosto de “vending machine” porque evita falar com gente, mas roleta eletrônica é muito sem graça. As do Conrad em Punta Del Este têm mocinhas jogando a bolinha e controlando as apostas. As de Montevidéu são automáticas.

8  –  Não sei se por causa da profecia do Matt Groening ou da proximidade com o Rio Grande do Sul, mas é cheio de casal gay.

9)      A mocinha do escritório de informações turísticas recomenda um hotel chamado Keel. A localização é boa, mas o serviço é péssimo.

10)   O mercado do porto é bem divertido para almoçar. Parece o mercado central de Belo Horizonte, só que mais velho e mais especializado em comes e bebes. 

 

Cassino Conrad em Punta
Cassino Conrad em Punta

 

 

 

Três velhos lobos do mar em porto secreto do Uruguai
Três velhos lobos do mar em porto secreto do Uruguai

Nenhum homem é uma ostra

ostra

Se pularmos agora para as virtudes e vícios do trabalho colaborativo vai ficar faltando um pedaço. Falamos das tecnologias que viabilizaram o rápido crescimento desta forma de produção, das mudanças de valor relativo entre as partes material e abstrata do trabalho, mas o quadro não fecha: só porque se tornou possível, determinado evento não tem necessariamente de ocorrer.

Para o observador indiferente à tecnologia, como creio a maioria de nós, o que mais chama a atenção no trabalho colaborativo? O que ele tem de revolucionário? É que é tudo de graça! Ou quase, pelo menos no que se refere a produto.

O sujeito que paga por mil e tantas pratas num computador sabe que, para que ele funcione pelo menos como máquina de escrever, terá que gastar mais ou menos a mesma coisa num Microsoft Office. Ou então instalar o Open-Office de graça. E ele vem completinho, faz desenho, apresentação, põe cobrinha em baixo da palavra escrita errado. E em qualquer língua, do português do Brasil ao klingon.

É isso que salta aos olhos: é tudo free! Do programa para trabalhar ao joguinho, do livro técnico à música nova. E muita gente boa nem perde tempo com as digressões do artigo anterior e vai direto à veia: como pode ser de graça? Os criadores trabalham de graça?

Quem aprecia a beleza das construções intelectuais deve curtir a demonstração de que toda mais valia provém do trabalho, feita pelo barbudo Karl. O resto do valor da coisa é mera reprodução material. Já que os produtos que nos interessam sublimaram sua parte material, eles são pura mais valia, puro trabalho objetivado – e não valem nada!

Na raiz deste aparente paradoxo reside a gênese das virtudes e vícios do trabalho colaborativo. Por que alguém faria alguma coisa de graça?

Por necessidade de expressão: imagine que, como as ostras, seu cocô tivesse um bom valor comercial. Certamente você faria cocô com a freqüência possível e, vendido nos melhores shoppings, o produto de sua necessidade fisiológica lhe garantiria uma vida confortável e tranqüila. De repente, ninguém quer comprar mais bosta nenhuma, nem a sua: você vai deixar de fazer cocô? Não, claro que não: você continuaria a cagar e ainda por cima teria que encontrar outra forma de se sustentar. Tem gente que gosta de compor música e quer que os outros ouçam. Se distribuir CD é caro e a pirataria corre solta, eles acabam colocando a música de graça na internet. O mesmo vale para literatura, desenho animado e até para software (acredite: existe pervertido que se diverte escrevendo software).

Por vaidade: para que os outros vejam o que você fez e comentem. Para ter seus quinze minutos de fama, para que seu nome seja citado, etc.

Por que não é verdadeiramente grátis: O desenvolvedor pede doação, ou espera vender serviços de consultoria na hora que você não conseguir usar o programa que baixou de graça, ou vender a versão profissional que não tem as limitações da versão gratuita. O músico espera que, uma vez conhecendo, você vá ao show e cante junto.

Claro que nenhuma desses motivos seria válido se não houvesse um excedente de riqueza, isto é, se alem de você não conseguir vender seu cocô, você não conseguisse comprar comida, ou tivesse que trabalhar tanto para isso que não tivesse tempo nem para cagar.

O fato é que o produto do trabalho nos realiza, mas ironicamente cada vez menos temos domínio sobre ele. Não aramos a terra nem fazemos sapatos. Funcionários de grandes corporações, transformamos rosquinhas em slides de Power-point, e isso, obviamente não satisfaz.

Uma saída é compensar com consumo, outra é produzir algo que satisfaça, mesmo sem ser ostra.

Revoluções Industriais

A primeira revolução na maneira de produzir as coisas foi a divisão do trabalho: ao invés de cada trabalhador fabricar o sapato, um cortava o couro, outro costurava, outro pintava, etc. Embora mais vistosa, a transição para as linhas de montagem com suas máquinas e esteiras mecânicas foi um salto conceitual menor.

 

Existe, porém, outra divisão do trabalho: entre o trabalho material e o abstrato. Mesmo quando realizado por um único artesão, a produção de qualquer objeto sempre prescindiu destes dois tipos de trabalho. Para transformar tecido e linha num vestido, além de cortar e costurar é preciso o trabalho abstrato de imaginar, conceber ou desenhar a peça.

 

revoluções Industriais

 

Embora possível desde sempre, esta segunda divisão do trabalho passou a fazer mais sentido econômico com o advento do computador e seus derivados. A máquina cuida da parte material do trabalho, desde que um humano codifique a parte abstrata de uma forma que ela entenda. Assim, a máquina tornava-se genérica, deixando a especialidade por conta do programa que nela roda. Poucos tipos de máquina que servem a muitas funções facilitam a produção em massa, popularizando e barateando os computadores. Tornou-se comum a parte sutil do trabalho, o software, valer mais que a parte grosseira, o hardware. O desenho custar mais que vários vestidos, o programa de gerenciamento empresarial valer mais que todos os computadores do escritório, o projeto custar mais que muitos carros.

 

Nos produtos onde a parte abstrata é relativamente mais importante, como livros e discos, paradoxalmente, a parte material ainda era mais cara. O grande capital necessário para editar e distribuir as mídias representava barreira à concorrência, deixando as gravadoras e editoras com a “parte do leão”.

Apesar da fama de grande revolucionária, só o que a internet fez foi tirar proveito da segunda divisão do trabalho, separando definitivamente a parte abstrata da mídia que a suporta. A primeira conseqüência foi  o desmoronamento, atualmente em curso, dos impérios fonográficos e editoriais, em função do enquadramento destes produtos ao “novo padrão” de divisão de custos entre a parte abstrata e a material.

Quase um efeito colateral, a parte abstrata sem seu substrato, viajando livremente, facilitou o trabalho a várias mãos. A obra conjunta de criadores separados por milhares de quilômetros, que já era comum na pesquisa científica, tomou de assalto o mundo do desenvolvimento de software.  Foram e continuam sendo desenvolvidos programas livres para tudo. Do sistema operacional à ferramenta de projeto assistido por computador, passando pelo processador de texto e pela ferramenta de gerenciamento empresarial (ERP). Tudo disponível, de graça e muitas vezes com qualidade e desempenho superiores às contrapartes “não colaborativas”.

Guias de entretenimento, guias de viagem, de restaurantes, de bares, passaram a ser preenchidos pelos usuários. Daí para a enciclopédia colaborativa foi um pulo. Fabricantes de qualquer produto relativamente complexo criaram fóruns de usuários e listas de perguntas freqüentes. Fabricantes de celulares, de equipamentos de automação industrial e até de brinquedos criaram sites para troca de programas entre clientes.

Que sacada! O mundo se empolga com a idéia, mas existem problemas – não perca o próximo artigo: Virtudes e vícios do trabalho colaborativo.

Filmes sobre o futuro do pretérito

Meu gênero cinematográfico preferido é o futuro do pretérito –  filmes antigos de ficção científica. Ver como imaginavam que seria o futuro, não pelo prazer bobo de saber que todos erraram, afinal, cinema não precisa aderir à realidade. Gosto pelas visões insólitas, pela graça das possibilidades imaginadas, uma progressão de absurdos que só perde, às vezes, para a realidade.

Vamos então à nossa função social, a crítica de alguns que vi recentemente:

Cartaz do filme - olha a ropinha do Charlton

Cartaz do filme - olha a ropinha do Charlton

Soylent Green

Um Filme de 73, que da primeira vez que vi, criança inocente que era, só atentei para a história central: em 2020, pensando que comemos plâncton, nos alimentaríamos de carne de gente processada, uns tabletes verdes, duros que nem pau, o tal do soylent Green.

 

Na verdade, o legal do filme é o retrato da sociedade em um futuro sem ruptura – sem guerra atômica, cataclismo natural ou epidemia devastadora – só a piora contínua de nossa condição.  Numa Nova Iorque com 40 milhões de habitantes, castigada pela poluição e pelo aquecimento global, a polícia é descaradamente corrupta, a começar pelo herói, o  Charlton Heston com sua boca cheia de dentes.

Pior que na Mumbai dos nossos dias, multidões vivem pelas ruas, em carros velhos ou nas escadas dos prédios, impedidos de chegar aos apartamentos por guardas e seus fuzis. Ainda há estado e governo, rações de água e comida são distribuídos diariamente: soylent amarelo, vermelho e verde (só às quintas-feiras).

O abismo entre ricos e pobres cresceu muito. Poucos privilegiados têm direito a frutas, arroz, sabonete, água corrente e quente e, às vezes, até a carne. Pobres com utilidade são coisas: os policiais têm livros – homens ou mulheres para fazer seu trabalho burocrático. Os apartamentos, artigos extremamente exclusivos têm mobília – mulheres jovens para uso do inquilino.

Por cima de tudo tem crime – o assassinato de um chefão arrependido da empresa que tritura gente, romance – entre a mobília do chefão morto e o mil dentes, conspiração – da empresa que tritura gente e do governo de NY pra abafar o caso e drama – a morte do livro do mil dentes, devidamente processado em tabletes.  Só não tem computador nem celular. Toda a informação está em papel (outro bem exclusivo, principalmente se em branco). Só  rico tem telefone, e é fixo. Nas esquinas existem caixas trancadas com telefones pra polícia usar.

Em resumo: não deixe de perder!

 

Redenção!

 

How long shall they kill our prophets
While we stand aside and look? Ooh
Some say it’s just a part of it
We’ve got to fullfil the book Won’t you help to sing
These songs of freedom?
‘Cause all I ever have
Redemption songs
Redemption songs
Redemption songs
Emancipate yourselves from mental slavery
None but ourselves can free our mind
Woh, have no fear for atomic energy
‘Cause none of them-a can-a stop-a the time
How long shall they kill our prophets
While we stand aside and look?
Yes, some say it’s just a part of it
We’ve got to fullfill the book
Won’t you help to sing
These songs of freedom?
‘Cause all I ever had
Redemption songs
All I ever had
Redemption songs
These songs of freedom
Songs of freedom

 bob

Old pirates, yes, they rob I
Sold I to the merchant ships
Minutes after they took I
From the bottomless pit
But my hand was made strong
By the hand of the almighty
We forward in this generation
Try harm friendly
Won’t you help to sing
These songs of freedom?
‘Cause all I ever have
Redemption songs
Redemption songs
Emancipate yourselves from mental slavery
None but ourselves can free our minds
Have no fear for atomic energy
‘Cause none of them can stop the time

 

Os viadutos da cidade de Thor ou por que somos assim? (2)

ViadutoSim, observe nossos viadutos! Por que não são todos “trevos de quatro folhas” como a ilustração? Se vai virar à esquerda, passa por baixo, entra pela direita, sobe, passa por cima da via que você vinha e vai embora? Tenho um amigo estrangeiro que não se conforma em ter que adivinhar o que tem que fazer em cada viaduto. Por que construímos viadutos incompletos e depois remendamos? Falta grana?

Certamente falta, mas não é isso. Veja a ponte estaiada que fizemos agora – por que o acesso pela pista central? Assim como a ponte da Anhangüera que ainda estamos construindo. Os nossos viadutos são um sintoma, uma dica na verdade. É um desvio de criatividade: somos criativos quando não precisa, quando seria melhor ser “quadrado”.

Inventamos pra economizar um poquinho, porque é mais fácil, ou simplesmente pra fazer diferente. São pequenas decisões que causam o que em economia chamam de falácia da composição – cada um faz o que é melhor pra si e o resultado global é ruim pra todo mundo.

Não acho que precisamos de padrão pra tudo, mas quando fazemos algo que vai ser usado por muitos e por muito tempo, inserido em um ambiente mutável, é bom que siga um padrão. O viaduto de entrada da Granja Vianna, por exemplo, é uma obra! São tantas opções, só vendo pra crer. Já o Elefante Branco na entrada de Santos, que sobe e desce, mas não tem opção nenhuma.

Deveríamos usar a criatividade para resolver problemas originais e reais. Quase sempre é melhor aprender com os erros dos outros. Podemos não ter tempo ou dinheiro errar tudo nós mesmos.

Os viadutos da cidade de Thor ou por que somos assim?

radio1Vinha hoje de manhã pelo caminho usual.  Enquanto dirigia o Raul dizia:

“…Como os donos do mundo piraram // Eles já são carrascos e vítimas // Do próprio mecanismo que criaram//…E não adianta de fora protestar //Quando se quer entrar
Num buraco de rato //De rato você tem que transar // Buliram muito com o planeta  // E o planeta como um cachorro eu vejo //Se ele já não aguenta mais as pulgas //Se livra delas num sacolejo…A civilização se tornou complicada  // Que ficou tão frágil como um computador // Que se uma criança descobrir // O calcanhar de Aquiles  // Com um só palito pára o motor …”

Incrível como a letra é atual nesses tempos bicudos. Tão atual que achei que a parte dos cabeludos era comigo e resolvi omitir.

Até que o trânsito estava bom, mas normalmente não é assim. E por que? Eu tenho uma teoria. É por causa do nosso jeito de fazer as coisas, da nossa inconseqüência latina. Nossos atos coletivos carecem de preocupação com suas consequências  para o bem estar geral.

Claro que nos preocupamos com o que vai acontecer conosco individualmente, com a nossa família, etc. Guardamos dinheiro, fazemos seguro, plano de saúde. Mas quando se trata dos bens comuns, começa a inconsequência. basta observar nossas ruas e sobretudo, nossos viadutos.

Nossos viadutos são a expressão concreta de nossa forma de ver o bem comum. São grandes exemplos, com endereço definido, da tal falácia da composição.

O que é só meu faço bem feito, pra durar, pra não dar problema. Já o que é público, é pra resolver um problema imediato. O que isso vai dar, quanto vai custar (a conta é dividida e pro futuro), já não é problema. Por que nossas ruas são tão tortas? Por que nossos viadutos são tão diferentes um do outro?

Tempos bicudos

Normalmente, quando um negro assume a presidência dos EEUU, suspeito que o filme  é de ficção científica. Se ele tem nome de muçulmano, então, é certeza.  Agora com a General Motors e o Citibank falindo, o Collor voltando pra Brasília e o Dunga dirigindo a seleção, só possopensar que é uma daquelas misturas de terror e comédia.

Crises, guerras e revoluções são interessantes. Se você assistia o túne (ainda tem acento?) lembra que o Tony e do Doug sempre caiam no Titanic, ou na  batalha de Waterloo, nunca no Bangu e Olaria, zero a zero com chuva, os dois já desclassificados. Nem em Curitiba no carnaval, ou numa reunião de condomínio.

Acho legal a crise de 29, a segunda grande gerra, a revolução francesa, a e 1917, a guerra civil espanhola. Principalmente nos filmes e livros. Até da revolução mais disprestigiada, a russa, tirei “a Mãe” do Gorki e “Moscou não acredita em lágrimas”.

A segunda guerra é fascinante. Um país não tão grande, como a Alemanha, em poucos anos, sair da lona, e quase dominar toda a Europa?  Milhões de pessoas massacrando ou fechando os olhos para o massacre de milhões e civis indefesos? Os aviões, os tanques e mísseis que desenvolveram, enquanto lutavam em vários fronts. Tanto o programa espacial americano como o russo começaram com cientistas alemães. Tem gente que jura, por exemplo no “Despertar dos Mágicos”, que os nazistas estavam quase chegando na bomba atômica. Se a alemanha nazista tivesse resistido mais uns anos, por exemplo deixando a União Soviética pra mais tarde, talvez denvolvesem mísseis nucleares. Aí o resultado da guerra poderia ter sido outro, assim como o mundo que vivemos.

A campeã é a guerra civil espanhola, entre muitas outros coisas, inspirou o Hemingway a escever “Por quem os sinos dobram”. A cena de amor entre a Maria e o Robert é impagável. Não vi o filme por causa dela. Não ia ser igual. A históriade que a terra treme no máximo três vezes. Grande livro.

Bom, agora temos a nossa própria crise. Por enqüanto não parece tão legal quanto as crises dos outros, mas como no passado tudo vale à pena, é esperar.