julho 2009
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Filmes sobre o futuro do pretérito

Meu gênero cinematográfico preferido é o futuro do pretérito -  filmes antigos de ficção científica. Ver como imaginavam que seria o futuro, não pelo prazer bobo de saber que todos erraram, afinal, cinema não precisa aderir à realidade. Gosto pelas visões insólitas, pela graça das possibilidades imaginadas, uma progressão de absurdos que só perde, às vezes, para a realidade.

Vamos então à nossa função social, a crítica de alguns que vi recentemente:

Cartaz do filme - olha a ropinha do Charlton

Cartaz do filme - olha a ropinha do Charlton

Soylent Green

Um Filme de 73, que da primeira vez que vi, criança inocente que era, só atentei para a história central: em 2020, pensando que comemos plâncton, nos alimentaríamos de carne de gente processada, uns tabletes verdes, duros que nem pau, o tal do soylent Green.

 

Na verdade, o legal do filme é o retrato da sociedade em um futuro sem ruptura – sem guerra atômica, cataclismo natural ou epidemia devastadora – só a piora contínua de nossa condição.  Numa Nova Iorque com 40 milhões de habitantes, castigada pela poluição e pelo aquecimento global, a polícia é descaradamente corrupta, a começar pelo herói, o  Charlton Heston com sua boca cheia de dentes.

Pior que na Mumbai dos nossos dias, multidões vivem pelas ruas, em carros velhos ou nas escadas dos prédios, impedidos de chegar aos apartamentos por guardas e seus fuzis. Ainda há estado e governo, rações de água e comida são distribuídos diariamente: soylent amarelo, vermelho e verde (só às quintas-feiras).

O abismo entre ricos e pobres cresceu muito. Poucos privilegiados têm direito a frutas, arroz, sabonete, água corrente e quente e, às vezes, até a carne. Pobres com utilidade são coisas: os policiais têm livros – homens ou mulheres para fazer seu trabalho burocrático. Os apartamentos, artigos extremamente exclusivos têm mobília – mulheres jovens para uso do inquilino.

Por cima de tudo tem crime – o assassinato de um chefão arrependido da empresa que tritura gente, romance – entre a mobília do chefão morto e o mil dentes, conspiração – da empresa que tritura gente e do governo de NY pra abafar o caso e drama – a morte do livro do mil dentes, devidamente processado em tabletes.  Só não tem computador nem celular. Toda a informação está em papel (outro bem exclusivo, principalmente se em branco). Só  rico tem telefone, e é fixo. Nas esquinas existem caixas trancadas com telefones pra polícia usar.

Em resumo: não deixe de perder!

 

Redenção!

 

How long shall they kill our prophets
While we stand aside and look? Ooh
Some say it’s just a part of it
We’ve got to fullfil the book Won’t you help to sing
These songs of freedom?
‘Cause all I ever have
Redemption songs
Redemption songs
Redemption songs
Emancipate yourselves from mental slavery
None but ourselves can free our mind
Woh, have no fear for atomic energy
‘Cause none of them-a can-a stop-a the time
How long shall they kill our prophets
While we stand aside and look?
Yes, some say it’s just a part of it
We’ve got to fullfill the book
Won’t you help to sing
These songs of freedom?
‘Cause all I ever had
Redemption songs
All I ever had
Redemption songs
These songs of freedom
Songs of freedom

 bob

Old pirates, yes, they rob I
Sold I to the merchant ships
Minutes after they took I
From the bottomless pit
But my hand was made strong
By the hand of the almighty
We forward in this generation
Try harm friendly
Won’t you help to sing
These songs of freedom?
‘Cause all I ever have
Redemption songs
Redemption songs
Emancipate yourselves from mental slavery
None but ourselves can free our minds
Have no fear for atomic energy
‘Cause none of them can stop the time

 

Os viadutos da cidade de Thor ou por que somos assim? (2)

ViadutoSim, observe nossos viadutos! Por que não são todos “trevos de quatro folhas” como a ilustração? Se vai virar à esquerda, passa por baixo, entra pela direita, sobe, passa por cima da via que você vinha e vai embora? Tenho um amigo estrangeiro que não se conforma em ter que adivinhar o que tem que fazer em cada viaduto. Por que construímos viadutos incompletos e depois remendamos? Falta grana?

Certamente falta, mas não é isso. Veja a ponte estaiada que fizemos agora - por que o acesso pela pista central? Assim como a ponte da Anhangüera que ainda estamos construindo. Os nossos viadutos são um sintoma, uma dica na verdade. É um desvio de criatividade: somos criativos quando não precisa, quando seria melhor ser “quadrado”.

Inventamos pra economizar um poquinho, porque é mais fácil, ou simplesmente pra fazer diferente. São pequenas decisões que causam o que em economia chamam de falácia da composição - cada um faz o que é melhor pra si e o resultado global é ruim pra todo mundo.

Não acho que precisamos de padrão pra tudo, mas quando fazemos algo que vai ser usado por muitos e por muito tempo, inserido em um ambiente mutável, é bom que siga um padrão. O viaduto de entrada da Granja Vianna, por exemplo, é uma obra! São tantas opções, só vendo pra crer. Já o Elefante Branco na entrada de Santos, que sobe e desce, mas não tem opção nenhuma.

Deveríamos usar a criatividade para resolver problemas originais e reais. Quase sempre é melhor aprender com os erros dos outros. Podemos não ter tempo ou dinheiro errar tudo nós mesmos.

Os viadutos da cidade de Thor ou por que somos assim?

radio1Vinha hoje de manhã pelo caminho usual.  Enquanto dirigia o Raul dizia:

“…Como os donos do mundo piraram // Eles já são carrascos e vítimas // Do próprio mecanismo que criaram//…E não adianta de fora protestar //Quando se quer entrar
Num buraco de rato //De rato você tem que transar // Buliram muito com o planeta  // E o planeta como um cachorro eu vejo //Se ele já não aguenta mais as pulgas //Se livra delas num sacolejo…A civilização se tornou complicada  // Que ficou tão frágil como um computador // Que se uma criança descobrir // O calcanhar de Aquiles  // Com um só palito pára o motor …”

Incrível como a letra é atual nesses tempos bicudos. Tão atual que achei que a parte dos cabeludos era comigo e resolvi omitir.

Até que o trânsito estava bom, mas normalmente não é assim. E por que? Eu tenho uma teoria. É por causa do nosso jeito de fazer as coisas, da nossa inconseqüência latina. Nossos atos coletivos carecem de preocupação com suas consequências  para o bem estar geral.

Claro que nos preocupamos com o que vai acontecer conosco individualmente, com a nossa família, etc. Guardamos dinheiro, fazemos seguro, plano de saúde. Mas quando se trata dos bens comuns, começa a inconsequência. basta observar nossas ruas e sobretudo, nossos viadutos.

Nossos viadutos são a expressão concreta de nossa forma de ver o bem comum. São grandes exemplos, com endereço definido, da tal falácia da composição.

O que é só meu faço bem feito, pra durar, pra não dar problema. Já o que é público, é pra resolver um problema imediato. O que isso vai dar, quanto vai custar (a conta é dividida e pro futuro), já não é problema. Por que nossas ruas são tão tortas? Por que nossos viadutos são tão diferentes um do outro?

Tempos bicudos

Normalmente, quando um negro assume a presidência dos EEUU, suspeito que o filme  é de ficção científica. Se ele tem nome de muçulmano, então, é certeza.  Agora com a General Motors e o Citibank falindo, o Collor voltando pra Brasília e o Dunga dirigindo a seleção, só possopensar que é uma daquelas misturas de terror e comédia.

Crises, guerras e revoluções são interessantes. Se você assistia o túne (ainda tem acento?) lembra que o Tony e do Doug sempre caiam no Titanic, ou na  batalha de Waterloo, nunca no Bangu e Olaria, zero a zero com chuva, os dois já desclassificados. Nem em Curitiba no carnaval, ou numa reunião de condomínio.

Acho legal a crise de 29, a segunda grande gerra, a revolução francesa, a e 1917, a guerra civil espanhola. Principalmente nos filmes e livros. Até da revolução mais disprestigiada, a russa, tirei “a Mãe” do Gorki e “Moscou não acredita em lágrimas”.

A segunda guerra é fascinante. Um país não tão grande, como a Alemanha, em poucos anos, sair da lona, e quase dominar toda a Europa?  Milhões de pessoas massacrando ou fechando os olhos para o massacre de milhões e civis indefesos? Os aviões, os tanques e mísseis que desenvolveram, enquanto lutavam em vários fronts. Tanto o programa espacial americano como o russo começaram com cientistas alemães. Tem gente que jura, por exemplo no “Despertar dos Mágicos”, que os nazistas estavam quase chegando na bomba atômica. Se a alemanha nazista tivesse resistido mais uns anos, por exemplo deixando a União Soviética pra mais tarde, talvez denvolvesem mísseis nucleares. Aí o resultado da guerra poderia ter sido outro, assim como o mundo que vivemos.

A campeã é a guerra civil espanhola, entre muitas outros coisas, inspirou o Hemingway a escever “Por quem os sinos dobram”. A cena de amor entre a Maria e o Robert é impagável. Não vi o filme por causa dela. Não ia ser igual. A históriade que a terra treme no máximo três vezes. Grande livro.

Bom, agora temos a nossa própria crise. Por enqüanto não parece tão legal quanto as crises dos outros, mas como no passado tudo vale à pena, é esperar.

Estamos de volta!

Estamos de volta. Depois de muito tempo sem atualizar, algum fora do ar e mais algum com links quebrados, voltamos pra valer!