setembro 2010
D S T Q Q S S
« jul    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

Filmes sobre o futuro do pretérito

Meu gênero cinematográfico preferido é o futuro do pretérito –  filmes antigos de ficção científica. Ver como imaginavam que seria o futuro, não pelo prazer bobo de saber que todos erraram, afinal, cinema não precisa aderir à realidade. Gosto pelas visões insólitas, pela graça das possibilidades imaginadas, uma progressão de absurdos que só perde, às vezes, para a realidade.

Vamos então à nossa função social, a crítica de alguns que vi recentemente:

Cartaz do filme - olha a ropinha do Charlton

Cartaz do filme - olha a ropinha do Charlton

Soylent Green

Um Filme de 73, que da primeira vez que vi, criança inocente que era, só atentei para a história central: em 2020, pensando que comemos plâncton, nos alimentaríamos de carne de gente processada, uns tabletes verdes, duros que nem pau, o tal do soylent Green.

 

Na verdade, o legal do filme é o retrato da sociedade em um futuro sem ruptura – sem guerra atômica, cataclismo natural ou epidemia devastadora – só a piora contínua de nossa condição.  Numa Nova Iorque com 40 milhões de habitantes, castigada pela poluição e pelo aquecimento global, a polícia é descaradamente corrupta, a começar pelo herói, o  Charlton Heston com sua boca cheia de dentes.

Pior que na Mumbai dos nossos dias, multidões vivem pelas ruas, em carros velhos ou nas escadas dos prédios, impedidos de chegar aos apartamentos por guardas e seus fuzis. Ainda há estado e governo, rações de água e comida são distribuídos diariamente: soylent amarelo, vermelho e verde (só às quintas-feiras).

O abismo entre ricos e pobres cresceu muito. Poucos privilegiados têm direito a frutas, arroz, sabonete, água corrente e quente e, às vezes, até a carne. Pobres com utilidade são coisas: os policiais têm livros – homens ou mulheres para fazer seu trabalho burocrático. Os apartamentos, artigos extremamente exclusivos têm mobília – mulheres jovens para uso do inquilino.

Por cima de tudo tem crime – o assassinato de um chefão arrependido da empresa que tritura gente, romance – entre a mobília do chefão morto e o mil dentes, conspiração – da empresa que tritura gente e do governo de NY pra abafar o caso e drama – a morte do livro do mil dentes, devidamente processado em tabletes.  Só não tem computador nem celular. Toda a informação está em papel (outro bem exclusivo, principalmente se em branco). Só  rico tem telefone, e é fixo. Nas esquinas existem caixas trancadas com telefones pra polícia usar.

Em resumo: não deixe de perder!

 

Comments are closed.