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Por que acreditamos nas coisas que acreditamos ou será que o homem foi à lua?

Tripulação da Apollo 11
Tripulação da Apollo 11

Pouco tempo depois que Louis Armstrong, o primeiro saxofonista negro a pisar na lua, apareceu na televisão, ganhei um livro. Não me lembro de onde veio, nem o nome, mas era um livro didático – ou paradidático de ciências. Pulando todas as coisas que não lembro a respeito disso e indo direto à única coisa que lembro: era usado e tinha um pedacinho que falava da chegada do homem à lua e depois pedia para o leitor comentar. A dona do livro (lembro disso também, era uma menina!) escreveu que não acreditava que o homem tivesse realmente chegado à lua, porque a lua era muito fria.

Fiquei encasquetado com aquilo – de onde a fulana tirou que a lua é fria? Fria a ponto de impedir uma viagem a ela. Como não concordava com a idéia, naturalmente desqualifiquei a autora. Era menina e idiota, não merecia que perdesse tempo com as idéias dela.

Quando crescesse seria cientista e astronauta e já dava os primeiros passos: montei o módulo lunar da caixa de sucrilho, li o livro do John Glenn e planeja o foguete com uns tubões de plástico que estavam jogados no quintal.

Esses dias fez 40 anos que pisaram na lua e um pouco menos que achei a menina idiota. Em retrospecto vejo que o comportamento dela e o meu eram iguais: acreditamos no que confirma nossa visão de mundo, nossas expectativas e crenças. Ela, como todas as meninas, devia sentir muito frio. Confortante acreditar que o frio que a derrotava, também derrotara os americanos. Já eu queria viajar pelo espaço, tinha que acreditar que era possível. Aliás, somos todos assim, queremos ter razão. Martelamos e torcemos o mundo para que ele se encaixe em nossa opinião.

Não virei cientista nem astronauta, mas assisti muito filme de ficção científica, visitei a sala de controle do programa Apollo e continuo convicto que foram à lua. Não sei se a menina mudou de opinião, mas muita gente que na época não acreditou, continua sem acreditar. Sem contar os muitos que nasceram nesses 40 anos que também não acreditam. Nós, os crentes, rimos dos adeptos da teoria da conspiração lunar. É o que acontece: acreditamos no que queremos e, se somos maioria, rimos (ou prendemos ou matamos) os que pensam diferente.

Fatos pouco adiantam, se queremos ter razão, precisamos estar do lado da maioria. Como será que a maioria é formada? Como se acredita que leite com manga faz mal, que Hitler era legal, que o Collor ia salvar o Brasil? De onde vem o consenso de  que Maria era virgem, Pelé era melhor que Garrincha, que Deus é barbudo?

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